Número Zero, Umberto Eco

Achei a capa linda!
Acho que meu primeiro contato com Umberto Eco foi em uma aula de Teorias da Comunicação, quando aprendi a distinção que o autor faz entre apocalípticos (frankfurtianos) e integrados (funcionalistas) em uma de suas obras. Discussões teóricas a parte, alguns de seus livros foram citados e muito elogiados pelo professor e alguns alunos. Anotei os nomes e logo depois comprei o e-book de "O nome da rosa", seu primeiro e mais consagrado livro.

Não sei por que, mas ainda não li o clássico, comprei seu último lançamento, Número Zero, e esta seria a minha primeira leitura do italiano Umberto Eco, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo. Infelizmente, quando ele faleceu era seu romance que estava na minha cabeceira.

Sobre Número Zero: não gostei. Não sei se tinha expectativas muito altas devido ao currículo do escritor, mas já vi algumas resenhas ressaltando que esta não era sua obra-prima. Ainda assim, consegui extrair algumas coisas bastante interessantes.

A história se passa basicamente na redação de um jornal que ainda não existe (e nem chega a existir), O Amanhã, financiado por um comendador que deseja se aproximar e consolidar sua posição na elite italiana. Todos os jornalistas que compõem a redação estão em decadência e as reuniões de pauta são verdadeiras aulas de como fazer um mau jornalismo. Como manipular o leitor, alterar declarações para que sejam favoráveis ao posicionamento do jornal, notícias vazias e sensacionalistas são algumas das artimanhas desenvolvidas para o Número Zero do jornal.

Ao longo da narrativa, um dos jornalistas investiga uma teoria conspiratória que leva a crer que Mussolini não morreu logo após o fim do regime, mas sim seu sósia. Nesses trechos são feitas descrições longas e exaustivas, enumerando diversos acontecimentos e escândalos que se ambientaram na Itália desde então até o início dos anos 90, quando se passa a história. Talvez meu desconhecimento sobre a história italiana e o excesso de referências extra-livro tenha dificultado meu entendimento.

Ao longo da leitura esperei pelo clímax e ele parecia nunca chegar. Até que, já no finalzinho, um acontecimento "X" muda um pouco o rumo da história e traz alguma emoção para o leitor.

O que mais chamou minha atenção foi a crítica do Umberto Eco ao fazer jornalístico. Ele coloca em discussão quais seriam as intenções dos veículos de comunicação ao adotarem determinadas estratégias e lançarem um olhar que diminui o leitor e sua capacidade interpretativa. Outro aspecto interessante é o uso do nome "O Amanhã" para o jornal, uma crítica à sociedade corrupta e as manipulações que parecem não ter fim. Vivemos na esperança de um amanhã que parece nunca chegar. Qualquer semelhança com a atual conjuntura política brasileira é mera coincidência...

Espero que minhas próximas leituras do autor sejam mais legais!

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