Desabrochar

Vida. Foi com essa pequena palavra que descrevi o que tenho assistido nas últimas semanas. Um simples botão começou a aparecer na nossa filhotinha planta. E assim permaneceu, como um botão, por mais de uma semana. Parecia estagnado, nem avançava, tampouco regredia. Amor, água, ar fresco, sombra. Pisquei e de repente ele começou a se abrir para o mundo e num mesmo dia já pude ver mudanças. No dia seguinte, em que escrevo esse texto, o botão já é flor e logo estará em sua mais bela forma.

Naturalmente fiz um paralelo com a vida e o tempo. Esse lírio do vento foi semente que meu marido plantou, regou e cuidou. Por muito tempo parecia um pé de cebolinha, demorou a florir. Casamos e veio ser nossa plantinha. Essa é a primeira flor a que assisto desabrochar, afinal nunca tive muita intimidade com plantas, mas estou decidida a tê-las e cultivá-las, dando vida à casa e vida à vida.

Tempo ao tempo, assim é a vida, cuidado consigo mesmo, com os demais, tudo parece levar uma eternidade até se concretizar e de repente o desabrochar acontece a passos largos diante dos nossos olhos. E então desejamos que o tempo passe mais devagar. Nessa contradição, mais uma vez nos é revelado que a vida é processo, é mudança, é inconstante, e não resultado, finalidade. A vida acontece no durante, por isso temos que apreciar as esperas, a maturação do botão. O desabrochar e a flor premiam a vida que já pulsava. Vamos cuidar das nossas plantinhas e apreciar os nossos botões, as flores são consequência. Para desabrochar precisamos viver.

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