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Desabafo de uma carioca

Morar na dita cidade maravilhosa está a cada dia mais difícil, mais frustrante. Nada funciona. Somos reféns de um sistema de transporte sucateado. Somos vítimas de governantes corruptos que andam de jatinho e jamais entrariam em um Japeri lotado ao entardecer. Moro em uma rua esquecida pelo poder público porque por lá não passam gringos. Mas o IPTU chega pontualmente e aumenta a cada ano. Preciso sair horas antes para os meus compromissos porque nunca sei se vou demorar mais do que o previsto. Não saio de nenhum lugar sem antes fazer xixi pq não sei que imprevistos posso encontrar pela frente. O trem atrasa, o metrô fecha, a Brasil vive parada. Hoje tinha manifestação. Aparentemente pacífica e por uma causa que defendo. "Queremos trens padrão Fifa" . Mas tive medo e não prossegui até o outro lado do Choque e das roletas. As pessoas começavam a passar para o lado de lá sem pagar. Já imaginei a confusão se formando e bati em retirada com medo de pancadaria e spray de piment...

Releitura: A Culpa é das Estrelas

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Acho que nunca reli um livro dentro de um espaço de tempo tão curto! Li a versão em pdf de A Culpa é das Estrelas em agosto e escrevi sobre ele  aqui no blog. E em dezembro ganhei de presente do namorado (que não sabia que eu já tinha devorado esse livro) com direito à dedicatória e tudo, por isso não pude trocá-lo. Mas como gostei, não seria nenhum sacrifício reler. E foi o que fiz. Agora compartilho por aqui algumas novas considerações. (Reler é um belo exercício! Foi muito bom ter a oportunidade de compreender melhor a trama e seus desdobramentos.) - Gus, um dos personagens principais, destaca e repete muitas vezes o quanto para ele é importante ser lembrado mesmo depois da morte . É claro que nem todos vamos ser mártires, grandes pensadores ou matemáticos. Mas é claro que todos deixamos nossas marcas. E é por nossas atitudes que somos lembrados. Taí um bom motivo para ser do bem! - Os personagens vivem no limite entre vida e morte , bom humor e pessimismo. Esses al...

Nos meus rascunhos...

Esse texto é do dia 03/10/2013. Estava nos meus rascunhos de email por ser muito íntimo, mas percebi que não tenho porque não publicá-lo. É sobre a emoção pura e sincera de uma neta. *** Meu avô tem câncer. E não é de hoje. A doença foi descoberta em 2007 se não me engano. E quem leu o diagnóstico pela primeira vez foi minha mãe, a filha. Agora imagina o que é dar uma notícia dessas para o seu próprio pai. Foi preciso medir palavras, pesar as frases a serem ditas e conter a emoção. Mas as palavras precisam ser ditas sempre (ou quase sempre). Logo o meu avô, o Seu Manuel, tão forte e jovial. Não aparentava a idade que tinha seja pela sua força ou pelos cabelos pretinhos, no auge dos seus 70 e alguma coisa. Logo o meu avô, sisudo e sério. Eu tinha medo dele quando pequena, mas conforme fui crescendo, aquele carinho de neta cresceu junto. Afinal, como não admirar um feirante que criou duas filhas, que as viu crescer, se formarem, casarem e terem filhos. Que está vendo seus netos cres...

12 horas sem celular

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Pelo menos uma vez por semana quando estou caminhando para o ponto de ônibus tenho a sensação de que esqueci meu celular em casa. Checo e ele está lá lindo e belo para me acompanhar durante o dia. Mas hoje procurei quando estava dentro do ônibus e ele não estava comigo, eu realmente esqueci. E a partir daí eu teria que viver 12 horas sem ele. Estava atrasada e ele já começou a fazer falta no metrô. Todos os dias conecto meu fone e ouço podcasts ou uma rádio e jogo joguinhos. O tempo passa voando e ainda aproveito esse tempo o tornando útil. Hoje foi diferente. Não tinha nenhum livro na bolsa então tive que curtir a agonia de parar de estação em estação, acompanhando o relógio avançando. Achei que as portas demoram muito a fechar a cada estação. Pode até ser um tempo padrão, mas nunca reparei porque me ocupava com meu celular. Pensei em avisar a chefe que ia chegar uns vinte minutinhos atrasada. Mas como? No final me entretive com duas crianças fofas perto de mim. Ao longo do di...

Sobre a fé que me faz otimista

E quando tudo parece perdido ela vem e me encoraja. É ela quem renova o oxigênio que eu respiro quando o ar parece faltar, é um respiro, um suspiro, uma dose a mais de fôlego. A fé. É um estado de espírito, é a motivação quando o restante do mundo parece ruir ao meu redor. É o último fio de esperança. É a crença no impossível, no sobrenatural, no cientificamente improvável e no fisicamente impossível. A fé renova a vida, salva vidas e gera a vida. A fé é a crença na vida e, para alguns, na vida eterna. A fé ultrapassa a coisidade das coisas, o plano terreno e viaja além dessa vida. A fé é a última gota no deserto. É injeção de ânimo, é alegria. É a crença na mudança. É a crença no passado que não foi vivido, no presente sem saída e no futuro melhor. É a lágrima que leva ao sorriso. É a fé que alimenta o sonho. Enquanto há fé, há esperança.

Bom dia pra você também!

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Não é de hoje que faço questão de cumprimentar motorista e cobrador todas vezes que embarco nos ônibus. E também não é de hoje que 80% das vezes não obtenho resposta. Dos 20% restantes, 15% correspondem aos que fazem um leve aceno de cabeça e os outros 5%, esses sim, respondem à minha saudação. Houve uma época em que desisti de ser educada, era ofensivo "ficar no vácuo". Mas depois retomei meus bons dias, boas tardes e noites. Não tenho culpa da falta de educação deles, não é mesmo? Rotina estressante e problemas fazem parte da vida de qualquer ser humano do século XXI e são esses pequenos gestos, ou melhor, a ausência deles, que atrasam o nosso país. Hoje tive vergonha alheia porque frente a frente com a cobradora, pronunciei um sonoro bom dia e ela não demonstrou qualquer tipo de emoção. Engraçado que eu fiquei super sem graça, por ela. Afinal eu não tinha motivo para me sentir assim. Se eu fosse um dos passageiros que já estavam no interior do ônibus me sentiria da m...

Acredite!

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"Se for pra ser, será."